Religião & Política

Não é um fenômeno novo a participação do campo religioso na política, mas certamente a visibilidade e influência junto aos governos tornaram esses atores relevantes para uma análise da política brasileira hoje. O destaque são as lideranças evangélicas que organizam suas redes de relações para atuar ativamente nas eleições, não só indicando candidaturas, mas participando do jogo de alianças e das campanhas eleitorais de modo explícito. O pertencimento a uma das igrejas e/ou o apoio de lideranças evangélicas, muitas vezes, contribui decisivamente para o êxito de um candidato.

Em que pese o fato de que nem todo fiel irá votar no candidato indicado pela Igreja, há uma tendência em ver com benevolência os indicados, o que corrobora os dados da Frente Parlamentar Evangélica, de que na última legislatura foram eleitos 68 deputados e três senadores, sendo essa hoje a segunda maior bancada temática do Parlamento, só perdendo para a bancada ruralista.

O presidencialismo de coalizão brasileiro, com sua inevitável dependência de alianças, em muitas circunstâncias encampa agendas políticas de grupos representativos da sociedade, quer sejam aqueles que retrocedem direitos ou os ampliam. E as lideranças evangélicas possuem duas condições fundamentais para serem atores relevantes nesse jogo: têm grande poder de convencimento frente a seus milhões de fiéis e podem sustentar campanhas eleitorais com grande visibilidade na sociedade. A conta para os governos chega depois.

LEIA NA ÍNTEGRA