Comunicações do ISEREdição Nº 73

Evangélicos à Esquerda no Brasil: Entrevistas com lideranças e coletivos nas Eleições de 2020

O fascículo Evangélicos à esquerda no Brasil traz entrevistas com
lideranças e coletivos nas eleições 2020, de Comunicações do Iser, traz para
um público amplo reflexões de atores religiosos, notadamente evangélicos
e evangélicas, sobre as eleições 2020. Desde a movimentação orgânica de
católicos e evangélicos para elegerem representantes ao Congresso Nacional
naquela legislatura (1987-1990) que seria marcada pela elaboração da nova
Constituição, após 21 anos de ditadura militar no Brasil, o conservadorismo
religioso ganhou destaque em trabalhos acadêmicos e na mídia secular.
Contudo, a partir das eleições presidências de 2010, a ênfase na participação
desses atores religiosos se avolumou atingindo uma espécie de culminância
nas eleições 2018, quando parte dos evangélicos foram identificados como
o principal grupo de apoio a Jair Messias Bolsonaro, vitorioso naquele
pleito. Na maior parte das abordagens, uma forma de pensamento binário
se pronunciava tornando opaca a diversidade de posicionamentos políticos,
sociais e até mesmo doutrinários/teológicos/cosmológicos presentes no
interior dos grupos religiosos no Brasil. Certamente, o Brasil, assim como
outros países das Américas e da Europa, passou por uma efervescência
conservadora que fez desmoronar conquistas de grupos sociais
minoritários, políticas públicas inclusivas, programas de assistência social, um modelo
de gestão no qual a participação popular era incentivada.

O material reunido neste número de Comunicações do Iser conta com cinco
entrevistas realizadas com lideranças evangélicas, algumas concorrendo
às eleições 2020 em candidaturas individuais, outras em candidaturas
coletivas. São eles: Ariovaldo Ramos, Nilza Valéria, Samuel Oliveira, Tiago
Santos e os integrantes da Candidatura Coletiva Plural. Ari, como é mais
conhecido, ministra na Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo. À
época da entrevista, era o coordenador nacional da Frente de Evangélicos
pelo Estado de Direito, ao lado de Nilza Valéria, nossa segunda entrevistada.
Eles foram fundadores do movimento em 2016, logo após o impeachment da
presidenta Dilma Rousseff. Valéria atuou na Visão Mundial Brasil, no mandato
da deputada estadual Mônica Francisco (PSOL-RJ), e atualmente integra a
Rede de Mulheres Negras Evangélicas. Samuel de Oliveira é coordenador
do movimento Bancada Evangélica Popular e foi candidato pelo PCdoB à
Câmara de Vereadores de São Paulo em 2020. Tiago Santos é idealizador
e coordenador do movimento Cristãos Contra o Fascismo, criado em 2018.
É teólogo de formação e concorreu nas eleições de 2020 pelo PSOL-RS
a uma cadeira na Câmara Municipal de Porto Alegre, em uma candidatura
coletiva. Por fim, contamos com a colaboração de Jonatas Arêdes, membro
da 2ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte e pequeno produtor rural, Fellipe
Gibran, pastor, advogado e integrante da Comunidade Evangélica Unidade
em Cristo, Djenane Vera, professora de artes plásticas na rede pública de
ensino, ceramista e frequentadora da Igreja Cristã Maranata e Kenia Vertello,
estudante de pedagogia e membro da Igreja Batista Connect. Esses quatro
jovens integravam o Coletivo Plural, candidatura que concorreu naquelas
eleições a uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte pelo recém-criado partido Unidade Popular.

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