Comunicações do ISER Nº 69

Comunicações do ISEREdição Nº 69

Religiões em conexão: números, direitos, pessoas

Religiões em conexão: números, direitos, pessoas: este fascículo da Comunicações do ISER traz para um público mais amplo um conjunto de textos que nos ajuda a pensar nos movimentos do religioso na contemporaneidade. Partindo da constatação de que nas últimas décadas a religião se tornou um ponto de pauta global, surgindo em cruzamentos inusitados e obrigando pesquisadores que anteriormente nunca haviam se ocupado do assunto a se debruçarem sobre o tema, podemos falar em uma ultrapassagem de fronteiras nas quais a religião anteriormente parecia estar contida, de um espalhar-se e escorrer por entre os dedos, num espraiamento que traz consigo inúmeras implicações.

A observação desses movimentos revela que não apenas as religiões se transformam, ou o domínio do religioso se coloca em relação que se torna visível em locais / situações / eventos / controvérsias onde antes não estava ou onde antes não se dava conta de sua presença. Trata-se, também, de colocar a própria especificidade do domínio do religioso em questão, através da percepção da porosidadade de suas fronteiras, das disputas classificatórias em que se vê envolvido, de abordagens que procuram des-substancializá-lo e tratá-lo não como um universal da humanidade, mas como um território indefinido e maleável (mas bastante eficaz) de condensação de práticas e discursos. O que está em jogo, enfim, é pensar o religioso em relação a ideologias modernas, uma espécie de construção ocidental por sobre “a humanidade” (outra noção construída na era moderna), e, assim, utilizá-lo como um domínio heuristicamente produtivo para questionar os pressupostos das Ciências Sociais. Pois se as Ciências Sociais e as Humanidades em geral trazem em seus conceitos e práticas as marcas do contexto colonial em que foram gestadas, um bom teste para o alcance de suas formulações pode estar no domínio do religioso, em que as teorias nativas e as teorias acadêmicas estiveram muitas vezes em aberto confronto, e em que pretensões de produção de um conhecimento universal foram desde sempre contestadas.

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