Comunicações do ISER Nº 57

Comunicações do ISEREdição Nº 57

Jovens do Rio – cirquitos, crenças e acessos

O que é “ser jovem”? Como sabemos, as respostas para esta pergunta mudam em espaços sociais diferentes, mudam no decorrer do tempo. A “juventude”, como toda categoria socialmente construída, não tem uma definição única que abarque todas as suas dimensões. É um sujeito de frases com muitos predicados, que variam de acordo com quem fala, de que lugar social onde fala e em que circunstâncias fala. Em torno da idéia de “juventude” se fazem múltiplas disputas entre gerações e entre diferentes segmentos sociais. Tais disputas possuem aspectos simbólicos e suportes materiais, históricos, políticos.

A juventude é um retrato projetivo da sociedade (Abramo, 1997) que expressa as angústias, os medos, assim como as esperanças em relação ao presente e às possibilidades de futuro. Nesta perspectiva, a categoria “juventude” simboliza os dilemas da contemporaneidade. São três as narrativas mais comuns através das quais se fala em juventude.

Do ponto de vista sociológico, a constituição da juventude como “objeto” de estudo está muito associada à chamada Escola de Chicago. Ali se construiu um tipo de abordagem que, em linhas gerais, enfocava os jovens a partir das lentes da “desorganização social” e dos “problemas sociais” expressos na formação de gangues e de outras formas de “delinqüência”. Fontes de inquietação para os acadêmicos, essas questões motivaram estudos aprofundados que buscavam compreender o que se passava com a sociedade americana e, mais precisamente, com a Chicago da época. E até hoje, a produção acadêmica sobre o tema da “juventude” encontra-se freqüentemente articulada a problemas sociais como a violência, a criminalidade e diferentes formas de “desvio”. A “juventude perigosa” se faz presente no discurso de educadores, de cientistas sociais, de formuladores de políticas públicas e de entidades multilaterais e financiadoras de projetos sociais dirigidos a este segmento social.

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