Mãe Beata, a força das águas!

Mãe Beata de Iyemonjá, filha da orixá das águas, aquela cujo o nome significa “Mãe cujo os filhos são peixes”, cardume de diversidades e superações. É neste sentido que irei trazer algumas palavras que deem sentido a representação de minha mãe biológica e desta líder religiosa de matriz e motriz africana, que sempre se preocupou para além de seu povo originário afrobrasileiro e seus meios ambientes.

O seu legado até os dias de hoje, é seguido pelos seus descendentes biológicos, tanto quanto pelos diversos filhos e filhas que compõem sua comunidade de terreiro, o Ile Axé Omiojuaro, que se situa na Baixada Fluminense, no município de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Comunidade esta que sempre impulsionada pela força de Mãe Beata e Iyemonjá, segue como as correntezas dos mares em busca de novas formas de solucionar os problemas desta sociedade que teima por uma ótica consumista e capitalista, que acredita que os recursos naturais do planeta são infinitos, não observando os sinais da natureza frente a estas violações e violência destrutiva ao meio ambiente.

Esta mulher negra, nordestina, de baixa estatura e muita potência matriarcal, nos legou com suas percepções de mundo, sabedorias diversas seja com sua atuação política, religiosa, cultural e ecológica propondo novas percepções de mundo integralizador e empático, lutando e se perpetuando em nossas vidas e mentes enquanto uma grande ancestral, onde seus ensinamentos nos servem como bússola a ser seguida.

Seus ensinamentos que vieram das águas nos inspiram que para além da Fé é preciso que nos posicionemos na proteção do meio ambiente, preservando e justificando a nossa relação de integralidade entre ser e meio, pois não há como cultuarmos nossos orixás sem termos uma ação efetiva de respeito e parceria com o planeta terra (Aiye). Sem uma natureza saudável, não somente os seres humanos e não humanos estarão fadados a extinção com a poluição do meio ambiente, bem como as divindades da natureza estarão apartadas desta conectividade que acreditamos serem a justificação de perceber a importância destas mesmas divindades na rede de sustentação da fauna e flora do planeta.

Assim como as águas, Mãe Beata era a fonte que não se deixava esgotar, sempre à frente de seu tempo, ela conseguia ser terna e doce, mas uma maremoto ao defender o seu cardume diverso, as pessoas e seus direitos. Filha de Iyemonja, era uma mãe incondicional, que encontrava virtudes nos seres humanos, acreditando que tinhamos de manter a solidariedade à todos indistintamente.

Não acreditava em uma igualdade universal, mas acreditava em uma igualdade de direitos que tinha que ser globalizada, já que os mares de iyemonjá encontravam todos os continentes. Portanto, segundo ela, Iyemonjá era a mãe de todos os povos, não fazendo distinção de credo, raça, orientação seja ela qual fosse. Assim era e é mãe Beata para nós, esta mulher que se tornou referência não somente para os povos negros, mas para a humanidade enquanto personalidade de superações à vida e suas adversidades.

É neste sentido que eu, enquanto seu sucessor frente a sua cadeira do Ile Axé Omiojuaro, sigo o seu legado das águas, buscando uma sociedade equânime e harmônica.

Iyemonjá é sua mãe e nos deu esta mãe chamada Beata, Beatriz, Iya!
Odoiya

Adailton Moreira Costa
Filho de Beata das águas
Babalorixá do Ile Omiojuaro

 

 

 

 

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Publicado em: 02/02/2022 - #Fé no Clima