Entrevista com a Coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria

A coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria, falou com o ISER sobre a atuação da Frente, desafios e eleições. Confira a entrevista!
 
 
1) Como surgiu a Frente de Evangélicos?
A Frente surge no processo de impedimento da presidente Dilma. Uma tentativa de dizer que os evangélicos brasileiros não são representados por um único segmento, que nem todo crente é de direita, ou cooptado pelas estruturas de poder. Junto com isso, mostrar que a Bancada Evangélica não representa os evangélicos, além daqueles que votaram em tais candidatos. A Frente surge dessa inquietação, naquele que foi um momento de angústia, em que se consolidou o golpe contra a democracia brasileira. A Frente surge denunciando esse golpe, em defesa da democracia e do estado de direito – condições necessárias para que se promova justiça e equidade.
 
 
2) Como funcionam os núcleos de formação e qual é o perfil dos participantes?
Os núcleos são encontros voluntários dos crentes que fizeram adesão à Frente, seja preenchendo um formulário virtual, seja por afinidade de ideias. Os núcleos desenvolvem atividades diversas, como analises de conjunturas, audiências publicas e populares, cultos. Tudo visando a formação do povo evangélico em temas de promoção de direitos e justiça. Outro ação ligada aos núcleos e a sensibilização de outros crentes para esses temas, através de uma abordagem bíblica. Os participantes tem perfil diversificado: são das mais diversas denominações e igrejas, e com idade entre 18 e 70 anos. Em comum, a vontade de fazer alguma coisa, tendo a fé como motivador.
 
 
3) O projeto tem como objetivo estimular a participação dos evangélicos nos processos de políticos do país, através de núcleos de formação formação com base em também na bíblia. Como diferenciar essa interseção entre religião e política da Frente dos discursos conservadores que dizem se pautar na bíblia?
Pela leitura da Bíblia, não direcionada, comunitária. Por agregar a essa leitura os elementos cotidianos, as informações, os dados. No uso de uma linguagem que tem a ver com a realidade em que vivem os evangélicos brasileiros, que em sua maioria são negros, pobres, mulheres.
 
 
4) Quais desafios vocês encontram à ação da Frente?
Sustentabilidade, gente disposta a aplicar recursos apesar de ser um movimento crescente que criou um cisma, uma fissura, sobre quem são os evangélicos. Um outro desafio é o ajuste da linguagem a ser usada, para alcançar mais crentes, e também – é obvio – um grande desafio é como grupos de esquerdas e outros movimentos nos enxergam, com seus olhares carregados de preconceitos, ignorando o fenômeno que é o crescimento do segmento evangélico no país e como isso impacta os processos políticos do país. 
 
 
5) No ano de eleições presidenciais, como será a atuação da Frente?
Somos um movimento apartidário, apesar da nossa inclinação ideológica à esquerda. Queremos nos manter assim, fazendo um trabalho de base. A ideia é lançar um perfil, critérios que devem ser observados na hora de escolher um candidato, e justificar isso dentro do conjunto que cremos. Não levantar bandeiras ou fazer opção por candidatos específicos. Isso seria um erro, um tiro em nosso pé.
 
Nilza Valéria é jornalista, evangélica, feminista e coordena a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
 
 
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