O mundo reage ao julgamento dos sete líderes Bahá’ís

  • Luana Reis

é jornalista da Comunidade Bahá’í do Brasil.

A decisão do Irã de julgar sete líderes bahá’ís provocou uma forte reação internacional, incluindo um chamado da vencedora do Prêmio Nobel, Shirin Ebadi, para a imediata libertação e absolvição final das lideranças.

“Se fosse para se fazer justiça e um juiz imparcial investigasse as acusações levantadas contra meus clientes, não se chegaria a qualquer outro veredito senão a absolvição”, disse a Sra. Ebadi nos comentários ao WashingtonTV, um site de notícias nos Estados Unidos.

A Sra. Ebadi, um dos advogados designados para os sete, disse ter lido cuidadosamente o dossiê das acusações e afirmou: “não encontrei nenhum motivo ou evidência para manter as acusações criminais ostentadas pelo promotor”.

Outros também expressaram preocupação acerca da probidade do julgamento, pedindo que fosse aberto e realizado de acordo com padrões legais internacionais. Governos e pessoas proeminentes da União Européia, Estados Unidos, Brasil, Índia e Canadá fizeram fortes declarações de preocupação.

A declaração da União Européia fez ecoar um chamado anterior para que fosse permitido a observadores internacionais assistirem ao julgamento dos sete bahá’ís.

“A UE lembra que liberdade de pensamento, consciência e religião é um direito fundamental e irrefutável que deve ser garantido em qualquer circunstância”, conforme escrito na declaração, e “pede um julgamento justo, íntegro e aberto, respeitando todos os padrões e obrigações internacionais…”

No Brasil, Luiz Couto, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, disse numa carta ao embaixador do Irã no Brasil que parece que “o julgamento não é transparente e público” e que qualquer julgamento fechado violaria o direito a uma defesa plena e honesta.

“Consideramos a liberdade de religião e crença – de muçulmanos, cristãos, judeus, budistas, bahá’ís, e de todas as outras expressões religiosas – um direito humano fundamental da democracia, tanto no Oriente como no Ocidente”, disse o parlamentar Couto.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos também condenou a decisão do Irã de dar continuidade ao julgamento. “As autoridades mantiveram estas pessoas presas por mais de 20 meses, sem tornarem pública qualquer evidência contra elas e dando-lhes pouquíssimo acesso a seus advogados”, disse Philip J. Crowley, Secretário-Assistente da Secretaria de Assuntos Públicos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “Estas pessoas merecem um processo adequado”.

Na Índia, indianos proeminentes pediram ao governo para que consultassem com Teerã a questão da perseguição aos bahá’ís. “Nosso país tem uma longa história de pluralismo e tolerância e deve se manifestar”, disse Maja Daruwala, Diretor da Iniciativa Comunitária de Direitos Humanos, ao jornal The Hindu, no domingo.

No Canadá, o Ministro do Exterior, Lawrence Cannon, emitiu uma declaração expressando profunda preocupação acerca da atual detenção dos sete líderes bahá’ís.
“É deplorável que estes indivíduos foram detidos por causa de sua fé e lhes foi negado um julgamento honesto”, disse o Sr. Cannon.

A destacada defensora de direitos humanos Cherie Blair, hoje, numa entrevista a BBC World Service, clamou pela libertação do “grupo de pessoas que vive uma religião que prega a paz e nada fez para merecer este julgamento.”

Na entrevista na WashingtonTV, a Sra. Ebadi, que atualmente está fora do Irã, também ofereceu um vislumbre do que aconteceu ontem no interior da 28ª Vara da Corte Revolucionária na qual se realizou a “primeira sessão” do julgamento.

Ela disse que somente dois advogados do Centro de Defensores de Direitos Humanos, o qual ela fundou, puderam estar presentes no tribunal. E que a despeito da solicitação por uma audiência aberta, o tribunal foi fechado.

As acusações contra os sete foram reiteradas ontem nos noticiários da mídia patrocinada pelo governo. Foram apresentadas como: espionagem, “atividades de propaganda contra a ordem islâmica”, o estabelecimento de uma administração ilegal, cooperação com Israel, envio de documentos secretos para fora do país, atuação contra a segurança do país, e “corrupção na terra”.

Diane Ala’i, da Comunidade Internacional Bahá’í, disse que os sete têm negado tais acusações de forma constante. “Podemos estar certos de que da mesma forma fizeram isso ontem diante do juiz”, disse ela.

Os sete são a sra. Fariba Kamalabadi, o Sr. Jamaloddin Khanjani, o Sr. Afif Naeimi, o Sr. Saeid Rezaie, a Sra. Mahvash Sabet, o Sr. Behrouz Tavakkoli, e o Sr. Vahid Tizfahm.

Todos, com a exceção de um do grupo, foram detidos em 14 de maio de 2008 em suas casas em Teerã. A Sra. Sabet foi detida em 5 de março de 2008 enquanto se encontrava em Mashhad. Desde então eles foram mantidos na prisão de Evin em Teerã, passando seu primeiro ano sem acusação formal ou qualquer acesso a advogados.

Antes de serem detidos, os sete serviam como um grupo informal, conhecido como os “Amigos do Irã” (Yarán, em Persa). Seu papel, executado com o conhecimento do governo, era prover as mínimas necessidades espirituais e materiais da comunidade Bahá’í do Irã que ficou sem uma liderança formal deste que suas instituições eleitas foram desmanteladas devido ao decreto do governo em 1983.

O julgamento, que começou em meados de janeiro deste ano, teve a sua segunda sessão no dia 7 de fevereiro. Essa segunda audiência não parece ter ido além dos procedimentos processuais. Nenhuma data foi dada para as sessões futuras.

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