Histórico e Caracterização Institucional
O Instituto de Estudos da Religião foi fundado em Campinas, São Paulo, em 1970. Com forte apoio do Conselho Mundial de Igrejas e com a denominação de ISET – Instituto Superior de Estudos Teológicos estabeleceu uma rede de pesquisadores, cientistas e estudiosos interessados em aprofundar investigações associando a questão religiosa com a questão da cultura.
Em seus dez primeiros anos de existência, essa rede funcionou como um movimento social, em bases informais, mas com um sistema de comunicação ágil e um intenso comprometimento político de seus atores. Até esse momento não havia caracterização institucional legal, nem sede, nem uma agenda institucional fixa e muito menos um corpo de assessores. Todos eram responsáveis por tudo.
Em 1973, as reflexões iniciais foram ampliadas e redefiniu-se a missão institucional como – “Promover estudos no campo da moral, da educação, da cultura e da religião”. Nesse mesmo ano, a intensa aproximação entre o movimento e os pesquisadores de religião nas universidades brasileiras muda a denominação da rede para Instituto Superior de Estudos da Religião.
Durante o período, as inquietações teóricas e filosóficas do grupo vinham sendo publicadas com a edição de um periódico criado pelos militantes, era o Cadernos do ISER, uma iniciativa ousada para um movimento informal de pesquisadores e estudiosos. A publicação nasce com objetivo de incrementar e estimular o debate a respeito das abordagens teóricas da questão religiosa nas ciências sociais brasileiras. Essa iniciativa, pela grande aceitação pública e acadêmica, provou em tempo recorde a necessidade de ampliação do debate.
Assim é que em 1977 o ISER lança uma nova publicação em formato de revista cientifica, trata-se da Religião e Sociedade, com acabamento gráfico de qualidade, capa dura e duzentas páginas por edição. A revista, aos poucos, torna-se a principal referência teórica para pesquisadores e estudiosos das ciências sociais no Brasil. Logo é considerado um entre os mais importantes periódicos acadêmicos, especializado na analise de temas religiosos e suas implicações com a antropologia, a ciência política, a sociologia, a educação e a cultura. Exerce uma linha editorial dinâmica na produção de debates e inovações paradigmáticas e metodológicas no campo do estudo da espiritualidade e suas implicações com as ciências humanas e sociais.
Em 1979, o ISER se transfere de Campinas para o Rio de Janeiro e no ano seguinte 1980, constitui-se enquanto uma organização social pública com composição jurídica definida. Passa a ter uma sede, um arranjo físico e funcional e denomina-se como um centro de produção de estudos, pesquisas e ações sociais, orientado por sua inspiração ecumênica e cristã original.
Naquele momento, as palavras-chave da circunstância histórica da sociedade brasileira eram – fortalecimento da sociedade civil, democratização e ação social. Resistia um elo potente e representativo que unia a Igreja aos movimentos sociais. Agora, o espectro da atuação do ISER ganha espaço nas ações e projetos de intervenção social, os estudos teóricos e metodológicos passam a subsidiar trabalhos de assessoria e especialização dos movimentos sociais.
Em 1984, os estatutos do ISER são redefinidos, seus objetivos agora assumem a seguinte proposição – “promoção de estudos, conferências, seminários, publicações e assessoria no campo da cultura, especialmente em seus aspectos religiosos”.
Entre 1985 e 1990 a instituição vive uma extraordinária expansão de suas atividades e atrai para sua órbita de projetos e ações uma nova geração de militantes, estudiosos e pesquisadores que se envolvem em várias frentes de trabalho contra a discriminação, o preconceito e a desigualdade econômica e social.
O ISER adquire a representatividade de uma organização não governamental de grande porte, com cerca de 120 funcionários e magnitude política de reconhecimento internacional. Os planos de trabalho aliam múltiplas parcerias de agencias de cooperação, sindicatos, universidades, igrejas e entidades congêneres. As atividades editoriais desdobram-se em novas publicações, além dos Cadernos do ISER e da revista Religião e Sociedade, são lançados dois jornais – Beijo da Rua e Vermelho e Branco -, é implantado um setor de comunicação que se especializa na produção de filmes documentários, vídeos educacionais e programas de TV comunitários, é a TV ZERO, que depois se torna autônoma.
Os anos 90 do século vinte são marcados por uma importante diligência de avaliação e revisão de propostas e de projetos. É instaurado um debate interno chamado de instituinte, revendo as praticas de trabalho, provocando uma reflexão sobre a história institucional e os processos vivenciados nas ações de luta contra a discriminação, o preconceito e por justiça social. O resultado dessa revisão critica é um novo organograma, um outro modelo de gerencia e de participação democrática com a harmonização de todos os fatores de trabalho e produção cientifica. É criada uma Assembléia Geral de 120 membros, uma diretoria executiva composta por sete coordenadores, uma secretaria executiva atuando em conjunto com um conselho administrativo, os núcleos de comunicação, pesquisa e documentação e três áreas temáticas de trabalho, são elas: Religião e Cidadania, Marginalidade e Auto-estima, Tradições e Etnias.
A dinâmica da historia do ISER sempre se caracterizou como homeostatica, ou seja, sensível ao clima ou à temperatura das necessidades sociais. A agenda institucional agora assume a luta pela defesa ambiental como uma prioridade. Em 1992, durante a ECO 92, o ISER organizou a grande vigília pela paz mundial, reunindo lideranças de todos os credos e ideologias. Participou ativamente da definição da AGENDA 21 enquanto modelo de política pública internacional para a preservação ambiental.
Essa experiência de articular diversidades e gerar conhecimentos e ações de intervenção para o bem estar social teve papel fundamental em 1993 na criação do Movimento VIVA RIO, que nasceu e cresceu no espaço institucional do ISER. Outros movimentos sociais voltados para o combate ao racismo, para os direitos humanos, defesa das mulheres, meninos de rua, e ecologia, entre tantos outros, seguiram seus próprios caminhos constituindo novas Ongs.
O processo de germinação de outras entidades confirma, sobretudo quando pensado com o distanciamento histórico atual, que a missão primordial do ISER vem sendo cumprida, a de fortalecer a sociedade civil organizando demandas e interesses que garantam a diversidade, a tolerância e a mitigação das aflições causadas pelas desigualdades sociais e pela pobreza.
Hoje, o ISER adota um formato de entidade de porte médio, flexível e apto a dar continuidade às intervenções sociais e a produção de conhecimento lastreado na pesquisa cientifica como meio de ação social. As áreas temáticas de trabalho são:
Religião e Sociedade
Meio Ambiente e Desenvolvimento
Violência e Direitos Humanos
Organizações da Sociedade Civil.