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EDITORIAL
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Equipe:
Editor - Emerson Giumbelli
Composição - Paola Lins e Marília Assad |
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Rede de Jovens de Religiões pela Paz na América Latina e Caribe lança Manual para Desenvolvimento de Redes com assessoria do ISER
A Red Juvenil Interreligiosa Latinoamericana de Religiones por la Paz, rede que reúne as principais organizações religiosas de juventude da América Latina e Caribe, convida o ISER, parceiro desde 2007, para formular um manual para a criação de redes inter-religiosas de jovens em níveis nacional e local. O resultado desse esforço será apresentado no Manual de Capacitación para la Construcción de Redes Interreligiosas Juveniles.
Um dos valores fundamentais que orientam a atuação do ISER é a valorização da diversidade religiosa, traduzida na promoção da tolerância, do respeito e do diálogo entre diferentes grupos e comunidades religiosas. Se num primeiro momento de sua trajetória destaca-se sua contribuição para o ecumenismo brasileiro, já nos anos 1980 o interesse em retratar o campo religioso leva o ISER a desenvolver pesquisas e ensaiar aproximações que culminará na Vigília das Religiões na ECO-92.
Tornando-se incubadora do nascente Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro (MIR), o ISER se fortalece como espaço articulador e catalisador de iniciativas cidadãs que colocavam as religiões no circuito das redes cívicas dos anos 1990. Com isso, o ISER buscava contribuir na redefinição da identidade religiosa brasileira fazendo-a coincidir com a nova realidade de país democrático e religiosamente plural.
Sempre aberta a novas dinâmicas e parcerias, o ISER tem apoiado nos últimos anos algumas atividades de Religiões pela Paz, organização internacional que se dedica, desde os anos 1970, a unir esforços das diferentes tradições religiosas do mundo para a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável. Em 2007, o ISER ajudou a organizar o III Encontro da Rede Inter-religiosa Latino-americana de Educação para a Paz, em parceria com Religiões pela Paz América Latina e Caribe e Unesco.
Sensível à emergência de novos atores no cenário democrático brasileiro e latino-americano, o ISER também tem se dedicado nos últimos anos a compreender e apoiar o protagonismo da juventude na discussão, elaboração e defesa de políticas públicas para este segmento importante da sociedade. Sensível de maneira especial ao específico religioso de nossas sociedades e da capacidade de agregação social da juventude nos espaços religiosos, o ISER tem produzido conhecimento que visibiliza sociologicamente os atores religiosos jovens para participação nos espaços recém surgidos de produção de políticas sociais. É nesse contexto que o ISER passa a assessorar em 2007 a Red Juvenil Interreligiosa Latinoamericana de Religiões pela Paz, rede criada em 2005 e que reúne as principais organizações religiosas de juventude da América Latina e Caribe. Buscando multiplicar-se por todos os países latino-americanos e caribenhos, convida o ISER para formular um manual para a criação de redes inter-religiosas de jovens em níveis nacional e local.
O resultado desse esforço é apresentado agora no Manual de Capacitación para la Construcción de Redes Interreligiosas Juveniles. Para oferecer a lideranças jovens os recursos necessários para construção de redes inter-religiosas, o manual está dividido em quatro partes: a primeira parte apresenta o leitor à identidade e valores de Religiões pela Paz e da Rede Latino-americana Inter-religiosa de Jovens; a segunda parte trata conceitualmente o inter-religioso, seus valores e modalidades; a terceira parte trata especificamente sobre a criação de espaços de diálogo e cooperação, orientando não só a respeito da organização de atividades como a respeito das características desejáveis de uma rede inter-religiosa; por último, o manual apresenta experiências já existentes de redes de juventude que atuam na América Latina e enumera outros recursos para a capacitação direcionada à ação concreta.
O ISER espera que esse manual seja uma ferramenta que fortaleça a convivência entre as religiões nas sociedades democráticas e plurais da América Latina e favoreça seu engajamento conjunto nos desafios sociais urgentes da região.
Texto: Flávio Conrado (flconrado@gmail.com) Imagem: cedida por Flávio Conrado
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Revista Debates do Ner (vol. 9, n. 14, jul-dez, 2008) - Religião e Políticas Públicas
O último número de Debates do NER, revista do. Núcleo de Estudos da Religião (NER), integrado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul traz uma discussão sobre conexões entre Religião e Políticas Públicas. Ao refletir sobre as interfaces entre estas duas dimensões da vida social, apresenta alguns parâmetros para compreender novas configurações de que se revestem as práticas e os discursos sobre o lugar da religião no espaço público. O foco do debate está nas questões relativas à regulamentação da relação da religião com o Estado e no seu desdobramento em Políticas Públicas. O objetivo desse número de Debates do NER, segundo seus organizadores (Carlos Alberto Steil e Fernando Seffner), é acrescentar novas e pertinentes questões ao debate sobre religião e sociedade no país e ajudar o leitor a refletir sobre as constantes referências de episódios em que religião e diretrizes de Políticas Públicas se complementam ou entram em conflito.
A revista está disponível no site www.seer.ufrgs.br/index.php/debatesdoner e podem ser feitos pedidos pelo endereço debatesdoner@gmail.com
APRESENTAÇÃO
Este volume de Debates do NER está dedicado às conexões entre Religião e Políticas Públicas. Ao refletir sobre as interfaces entre estas duas dimensões da vida social, apresenta ao leitor alguns parâmetros para compreender novas configurações de que se revestem as práticas e os discursos sobre o lugar da religião no espaço público. No entanto, se o tema da relação entre religião e sociedade civil tem sido freqüente nas análises dos cientistas sociais que estudam religião no Brasil, menos atenção tem sido dada às questões relativas à regulamentação desta relação pelo Estado e sua expressão na forma de Políticas Públicas. De modo que, esperamos com este número de Debates do NER, acrescentar novas e pertinentes questões ao debate sobre religião e sociedade no país. Ao mesmo tempo, permitir que o leitor, atento aos noticiários, identifique e reflita criticamente sobre as constantes referências de episódios onde o pertencimento religioso e diretrizes de Política Pública se complementam ou entram em conflito.
O texto de Joanildo Burity, que abre esta coletânea, intitula-se "Cultura, Identidade e inclusão social: o lugar da religião para seus atores e interlocutores", e debruça-se sobre as demandas de grupos específicos sobre as políticas públicas, destacando as organizações religiosas no âmbito da sociedade civil. As reflexões têm caráter geral, pensando diferentes políticas públicas e diferentes atores religiosos, e destacam o conjunto de relações onde este debate precisa ser pensado, que envolve o tema da democracia em especial. O texto instrumenta o leitor a refletir sobre muitos e diferentes contextos onde religião e diretrizes de políticas públicas se cruzam.
O texto de Maria Emília Corrêa da Costa também traz uma reflexão de caráter geral, mas ambientada no campo do direito, abordando um conjunto de questões ligadas à liberdade religiosa como direito fundamental e a laicidade como separação entre o Estado e as confissões religiosas. A autora traz a necessidade de firmar um conceito tipológico de religião, para discutir sua extensão e aplicabilidade no campo jurídico.
Temos a seguir um conjunto de três textos que se dedicam a análise da problemática do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras, tema de grande atualidade nas políticas públicas, e que é abordado em diferentes contextos e a partir de procedimentos de pesquisa diversos. Emerson Giumbelli apresenta um conjunto de notas de pesquisa, a partir de situações específicas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, e fazendo referências à situação francesa e a um panorama nacional brasileiro de iniciativas no campo da definição do modelo de disciplina de Ensino Religioso nas escolas. Luiz Guilherme Braga dedica-se a reflexões a partir do acompanhamento de aulas de ensino religioso em escola da rede pública do estado do Rio de Janeiro, mostrando a invenção de novas relações entre religião e espaço público, fruto da ação pedagógica dos professores que se dedicam a esta disciplina. Por fim, César A. Ranquetat Júnior discute um modelo de Ensino Religioso presente nas escolas públicas do estado do Rio Grande do Sul, mostrando a persistência de práticas confessionais e proselitistas contrastantes com a proposta legal de uma disciplina de ensino religioso não-confessional e pluralista.
A partir de pesquisa etnográfica que envolveu observação participante do cotidiano de católicos de um bairro popular da Região Metropolitana do Recife, Luis Felipe Rios e colaboradores discutem as complexas relações entre a resposta nacional à epidemia de aids, com sua ênfase no uso do preservativo, e os valores da conjugalidade e da fidelidade. Estes valores se afiguram como importantes demarcadores de como sacerdotes e leigos católicos lidam com a epidemia, em uma variedade de posicionamentos práticos e de interpretações conceptuais das assertivas do discurso moral religioso.
Na seqüência, o artigo de Marcelo Camurça e Tâmara Umbelino enfoca um específico movimento de afirmação social e de identidade cultural, produzido por jovens negros moradores dos bairros de periferia da cidade de Juiz de Fora - MG. O grupo, ligado a uma igreja pentecostal, desenvolve um culto marcado por uma estética de negritude proveniente do rap norte-americano moderno e urbano, e por um conteúdo de denúncia a situações de injustiça social e racismo.
Este volume de Debates do NER fecha com o artigo de José Rogério Lopes que analisa a difusão dos chamados "santos da crise", sua diversidade de figurações que configuram as redes devocionais a esses santos, manipuladas na esfera pública. A análise evidencia a necessidade de relacionar as investigações sobre essas novas devoções com as estratégias contemporâneas de reprodução da vida popular, na forma de sistemas de expiação sobre a qual o sentimento de insegurança se projeta, em condições de degradação, para constituir novos suportes de realização pessoal e coletiva. Podemos dizer que este artigo encerra o presente volume convidando o leitor a pensar não exatamente a relação entre políticas públicas e religião, mas entre a ausência de políticas públicas (no caso, aquelas políticas públicas de previdência e seguridade social) e as manifestações religiosas.
Texto: Carlos Steil e Fernando Seffner imagem: www.seer.ufrgs.br/index.php/debatesdoner
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"Deus e o Diabo na terra do sol: visões do espaço público, ethos profissional e moral religiosa entre policiais militares evangélicos do Rio de Janeiro"
Dissertação de mestrado defendida por Elizabete Albernaz junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, em março de 2009.
Gerada no âmbito do conturbado relacionamento entre a polícia e as camadas pobres urbanas cariocas, fortaleceu-se no debate público sobre segurança uma concepção de mal como anomalia social, um lugar ocupado hoje majoritariamente pela figura do tráfico de drogas e da violência urbana em geral. Numa visão maniqueísta, "o traficante" encarnaria as forças do mal, em oposição, encontrar-se-iam os policiais, representantes do bem. Para os policiais militares evangélicos, o imperativo de trilhar o caminho da salvação em um campo impregnado de maniqueísmos tende a submeter os sujeitos a um amplo espectro de tensões entre suas opções religiosas e condutas profissionais concretas. O trabalho de campo da pesquisa foi realizado em duas etapas: uma primeira, entre março e junho de 2007, em que foram feitas 21 entrevistas, visitas e aprofundamento na bibliografia disponível sobre o movimento evangélico; a segunda, entre julho e dezembro do mesmo ano, já com policiais militares, foram realizadas 37 entrevistas e observações entre evangélicos e não-evangélicos da PMERJ.
Figura típica da paisagem urbana, a Polícia Militar não passa de uma célebre desconhecida para grande parte da população fluminense, que não tem acesso a outras possibilidades deste universo para além do triste quadro de corrupção, violência e despreparo técnico a partir do qual a corporação é retratada na grande mídia. Não é de se estranhar que, pensando nas características idealmente atribuídas a policiais militares e evangélicos, esta improvável junção suscite a curiosidade das pessoas sobre a tão alardeada retidão moral cristã e seus possíveis reflexos na ética e profissionalismo dos policiais evangélicos em relação aos demais. Seria possível que, por caminhos bastante heterodoxos, a conversão evangélica produzisse padrões de atuação mais próximos daqueles esperados para as polícias segundo os princípios democráticos? Os policiais militares evangélicos entrevistados eram bastante enfáticos em afirmar que sim, seus padrões de atuação, idéias sobre ética e profissionalismo difeririam imensamente daqueles adotados pelos demais colegas de farda. Submetidos a um sistema de controle onipresente e onisciente, os evangélicos seriam impelidos à coerência entre palavras e atos, buscando adotar posturas profissionais afinadas com os princípios cristãos que professam. Afinal, como é possível esconder algo de Deus? A partir da conversão, esses policiais adquirem um novo entendimento para a situação atual da segurança pública no Rio de Janeiro, e que se fundamenta na idéia de batalha espiritual. O agravamento destes problemas refletiria a disputa entre Deus e o diabo pelas almas humanas, que finalmente estaria chegando ao seu termo.
O tempo profético do juízo, previsto no livro de Apocalipse, é iminente, o que produziria a intensificação das estratégias ardilosas do demônio, empenhado em afastar o máximo de almas possível das graças de Deus antes de sua inevitável derrota. Essa lógica maniqueísta é transposta para o ambiente policial militar e apropriada com muita intensidade, em grande parte devido às concepções de bem e mal que já circulam nesse universo, bem como no debate público sobre segurança. O imperativo de trilhar o caminho da salvação em um campo impregnado de maniqueísmos tende a submeter os policiais militares evangélicos a um amplo espectro de tensões entre suas opções religiosas e condutas profissionais concretas. Os riscos, perigos e tentações do cotidiano do policiamento apresentam-se como reflexo desta guerra ontológica entre as milícias celestes e as odes demoníacas, cujos desdobramentos atualizar-se-iam nas escolhas sobre os procedimentos adotados em cada ocorrência concreta atendida. Um exemplo bastante paradigmático do potencial criativo destas tensões é a polêmica sobre o uso da arma. Para o público em geral, parece irreconciliável o fato de um evangélico portar uma arma de fogo e ao mesmo tempo cumprir o mandamento sagrado de "não matarás", tendo em vista a concepção generalizada de que estes atores vivem sob o jugo de um fundamentalismo bíblico intransigente. Os policiais evangélicos entrevistados, entretanto, desenvolvem uma argumentação complexa e muito interessante para justificar a coerência entre a autorização legal para o uso da força letal (legítima defesa) e os valores cristãos.
Retomando minha questão inicial, por vias tortuosas os princípios de ética e profissionalismo dos policiais militares evangélicos entrevistados acabam aproximando-se bastante dos padrões desejáveis de atuação para as forças policiais em regimes democráticos, principalmente no que refere ao uso da força letal (arma). De modo geral, a questão da ética na corporação acaba recaindo perigosamente sobre os valores individuais e trajetórias pessoais, incorporados pela PMERJ, mas gerados fora dela: no seio da família, nas convivências de bairro, na religião. Nesse sentido, o lugar da religião no exercício discricionário é um lugar perigoso, pois, embora tenda a produzir efeitos indiretamente democratizantes, diz muito sobre a sutil fronteira entre o arbítrio e a arbitrariedade policial, nem sempre negociada em termos formalmente reconhecidos. Ao que parece, quanto menos institucionalizados os parâmetros de atuação profissional e ética, mais obscuro se torna o processo de tomada de decisão do policial, ocultando mecanismos perversos e preconceituosos de construção da suspeita e de inscrição de indivíduos, grupos e territórios em seu campo de vigilância.
Texto: Elizabete Albernaz (betealbernaz@yahoo.com.br) Imagem: noticias.gospelmais.com.br
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O espaço religioso como espaço de prevenção: perspectivas de jovens e lideranças de diferentes religiões da região metropolitana de São Paulo
A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - ABIA (organização não-governamental sem fins lucrativos que busca mobilizar a sociedade para enfrentar a epidemia de HIV/AIDS no Brasil) publicou uma edição especial, intitulada Respostas Religiosas à epidemia de AIDS. A publicação é um dos resultados de uma pesquisa feita pela organização em parceria com a Universidade de São Paulo - USP, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e a Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Nesta edição, Plural destaca mais um texto, desta vez da mestranda Andrea Paula Ferrara e da doutoranda Cristiane Gonçalves da Silva, ambas da USP:
A religiosidade marca a vida cotidiana das pessoas e seus modos de pensar e agir. No campo das DST/Aids, tem-se percebido que os espaços religiosos, além de sediar o compartilhamento de crenças, são importantes espaços de convivência e sociabilidade da juventude religiosa.
Com objetivo de compreender como jovens e suas lideranças religiosas concebem a prevenção e o espaço religioso como local para discutir sexualidade e promover o direito à prevenção, no âmbito do protagonismo juvenil, foram analisadas nove entrevistas em profundidade de lideranças religiosas (sacerdotes, clérigos e educador religioso) e 18 de jovens, de ambos os sexos, entre 15 e 25 anos das religiões católica, evangélicas históricas e não históricas e afro-brasileiras de umbanda e candomblé.
Os jovens percebem o espaço religioso como apropriado para discutir sexualidade e, sem muita clareza, realizar a prevenção, enquanto que os líderes religiosos acreditam que esses espaços são usados para ações de prevenção.
"É o mesmo caso da prevenção. É trabalho pra todo mundo. Cada um se conscientiza, cada um faz a sua parte. A gente tem que ser assim. Aqui a gente procura passar essas mensagens. Se a gente conseguir convencer umas três pessoas, a gente já fez um trabalho, né? De preferência que a gente convença todos" (Sacerdotisa umbanda).
O sentido da prevenção varia conforme a matriz religiosa. Para jovens e adultos evangélicos pentecostais a prevenção antes do casamento é a abstinência sexual, depois, incentiva-se o preservativo como contraceptivo.
"A nossa igreja, até como palestra que a gente ouve aí fora, tem colocado tudo isso para nós. De prevenção. Só que a nossa maior prevenção é respeitando os princípios bíblicos. Sexo dentro do casamento. Esse é o ponto crucial"(rapaz adventista da promessa).
Os líderes das religiões afro-brasileiras são os únicos que incentivam o uso do preservativo em qualquer período da vida.
"Quando a gente começa o trabalho, hoje eu consigo, assim que eu abro uma gira, a me colocar aqui no centro e falar com todo mundo e olhar pra cara de um pai de família e falar: "o senhor tem que levar preservativo. Se não pro senhor e pra sua esposa, pro seus filhos, pro seus netos, pro seus vizinhos". (Sacerdotisa Umbanda)
Os jovens católicos apóiam as campanhas de uso do preservativo, discutindo as diretrizes vindas do Vaticano e do Papa.
" (...) como o Papa que condenou o uso da camisinha, pra ele ter condenado o uso da camisinha ele pensa que o sexo é só pra procriação, não pode fazer sexo sem ser para procriar, se a pessoa quer fazer sexo pra sentir prazer, pra se divertir, aí já não pode. Essa é a opinião do Papa, eu penso diferente. Eu acho que se a gente gosta da pessoa, ama ela de verdade, não tem problema nenhum fazer sexo só para sentir prazer" (moça católica).
Foram realizadas duas oficinas para devolução dos resultados da pesquisa junto às comunidades envolvidas no estudo. Uma delas foi com as lideranças religiosas e outra com jovens. Em ambas, o quadro dos direitos humanos foi valorizado para se pensar a prevenção.
Os espaços religiosos devem ser aproveitados para trabalhar prevenção em DST/Aids. Estreitar o diálogo com cada comunidade religiosa e os programas de DST/Aids permitirá que o debate sobre sexualidade se dê no quadro do direito à prevenção e que os programas considerem as especificidades da juventude religiosa nas ações preventivas.
Texto: Andrea Paula Ferrara, mestranda da Faculdade de Saúde Pública da USP e pesquisadora do Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (NEPAIDS) e Cristiane Gonçalves da Silva, doutoranda em Psicologia Social do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do NEPAIDS. Extraído do BOLETIM ABIA (www.abiaids.org.br). Edição Especial: Respostas Religiosas à Epidemia de AIDS (http://www.abiaids.org.br/_img/media/bol%20abia%2056.pdf) Imagem: Casa Fonte Colombo RS
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RELIGIÃO E ESTRUTURA SOCIAL - O MAPA DA DIVERSIDADE RELIGIOSA
8 de junho: 9h - Introdução ao Seminário. 9h30 às 12h30 - Apresentação das pesquisas da Argentina e do Brasil. 15h às 18h - pesquisas do Peru e do Uruguai.
9 de junho: 9h às 10h30 - Migração Religiosa e o caso dos sem religião, por Sílvia Fernandes, Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. 11h às 12h30 - Sociedade Civil na Igreja, por Catalina Romero, Decana da Faculdade de Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica (Peru). 14h30 às 16h - Laicismo, por Nestor da Costa, Coordenador de estudos na área de Religião e Sociedade do CLAEH (URUGUAI). 16h30 às 18h - Secularização, por Fortunato Mallimaci, Investigador principal de CONICET e professor titular da UBA (Argentina).
A Universidade Candido Mendes (UCAM) realizará o Seminário no salão Marquês de Paraná, localizado na Rua da Assembléia, 10, 42º andar, Centro, Rio de Janeiro.
DEBATE "O ACORDO BRASIL-VATICANO E SUAS IMPLICAÇÕES"
O "Núcleo Religião, Gênero, Ação Social e Política" da Escola de Serviço Social/UFRJ promoveu no último dia 27 de maio, o debate "O acordo Brasil-Vaticano e suas implicações". O evento foi coordenado por Maria das Dores Campos Machado, socióloga e professora da Escola de Serviço Social da UFRJ, e contou com a participação de Emerson Giumbelli, antropólogo, professor do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ, e de Luiz Antonio Cunha, coordenador do Observatório da Laicidade do Estado, vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos, CFCH/UFRJ. O debate deu continuidade a uma agenda de reflexão sobre a proposta de acordo entre o Estado brasileiro e a Santa Sé, apresentada quando da visita do presidente da República Luis Inácio Lula da Silva ao Vaticano em novembro de 2008. O acordo, que trata de uma série de aspectos jurídicos da existência e atuação da Igreja Católica no Brasil, foi analisado, neste evento, a partir de dois eixos principais: a personalidade jurídica da Igreja Católica e seus impactos no aparato legal brasileiro; e as diferentes implicações legais da manutenção do ensino religioso como disciplina regular das escolas públicas brasileiras. Durante o debate, ressaltou-se a importância de promover uma maior visibilidade para as diferentes temáticas tratadas nas cláusulas dos vinte artigos do documento, que perpassam questões com implicação direta nas leis trabalhistas, na regulamentação do matrimônio, entre outras. É importante lembrar que atualmente o acordo está sendo analisado e aguardando votação no Congresso Nacional brasileiro.
Para acessar o texto do acordo (ainda sem validade jurídica) - ato assinado por ocasião da audiência privada entre o Presidente Luís Inácio Lula da Silva com o Papa Bento XVI, visite o site do Ministério das Relações Exteriores, no link: http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=6031
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