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EDITORIAL
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Equipe:
Editor - Emerson Giumbelli
Composição - Paola Lins e Marília Assad
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Evangélicos, memória sócio-política, e formação de novas lideranças
Projeto "Juventude, Política e Religião" resgata atuação política de jovens evangélicos nas décadas de 1950-1960
O primeiro contato com o material é sempre marcado pela surpresa. Tanto o público acadêmico quanto o religioso são surpreendidos ao saber que a juventude evangélica brasileira defendeu em um passado recente, e de maneira organizada, bandeiras sociais e políticas consideradas "revolucionárias" - como reforma agrária, distribuição de renda e diversidade cultural. Mas o espanto não é de hoje. Nas palavras do sociólogo Waldo Cesar (1923-2007), um dos entrevistados no projeto, todos "ficavam surpresos em saber que a igreja evangélica estava pensando o Brasil em termos de uma nova nação".
Em 2005, um grupo de pesquisadores de várias partes do país se reuniram no Rio de Janeiro e na cidade de Mendes para realizar uma série de entrevistas com pastores, acadêmicos e lideranças da juventude evangélica das décadas de 1950-1960. O objetivo inicial era promover um resgate histórico da atuação política da juventude cristã em um período marcado na história do Brasil e da América Latina como tempos de grandes agitações, transformações e esperanças. No caso brasileiro, fortes oposições ideológicas acirraram disputas em torno das bandeiras do desenvolvimento e do nacionalismo na esteira dos processos de profundas mudanças sociais que afetavam o país: urbanização, industrialização, intensa mobilização política e progressivo amadurecimento democrático. O foco das entrevistas eram os jovens líderes do Setor de Responsabilidade Social da Igreja - ligados à extinta Confederação Evangélica do Brasil (CEB) - e da União Cristã de Estudantes do Brasil (UCEB), hoje com idades entre 60 e 80 anos.
Assim se iniciava um longo trabalho de pesquisa, coordenado pelos pesquisadores Flávio Conrado (ISER) e Alexandre Brasil (UFRJ), que coletou entre 2005 e 2006 aproximadamente 16 horas de entrevistas. Em 2007, o ISER inicia uma parceira com a Rede FALE - www.fale.org.br -, e o projeto ganha o apoio das organizações evangélicas Visão Mundial e Basiléia. Com este novo aporte, produziu-se um primeiro material audiovisual: o curta metragem "Cristo e o processo revolucionário brasileiro", que desde então vem sendo exibido em diversos eventos acadêmicos - como o XIV Congresso Brasileiro de Sociologia - e eventos promovidos por organizações da juventude evangélica.
Hoje, o projeto "Juventude, Política e Religião" é desenvolvido por ISER e Rede FALE, e já conta com o apoio do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI-Brasil), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e da Federação Universal de Movimentos Estudiantis Cristãos (FUMEC). O objetivo geral da pesquisa-intervenção é resgatar e analisar a memória relacionada à participação de jovens ligados às igrejas protestantes no movimento estudantil dos anos 1960; apresentá-la, e discuti-la com jovens evangélicos, estudantes e jovens de outras religiões. Para isso, serão produzidos mais vídeos - a partir do material de acervo disponível e da realização de novas entrevistas.
Assim, espera-se reunir informações e experiências que servirão de subsídio para a reflexão das gerações atuais acerca da participação sócio-política de jovens.
Texto: Marcus Vinicius Matos
Imagem: Rede fale
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"Olhares Femininos sobre o Islã: etnografias, metodologias e imagens" Livro lançado pela Editora Hucitec no dia 18 de março, em São Paulo Organizado pela antropóloga e pesquisadora Francirosy Campos Barbosa Ferreira, "Olhares Femininos sobre o Islã - Etnografias, Metodologias, Imagens" reúne em 12 capítulos, ensaios, imagens, temas de dissertações e teses que tem como foco o universo feminino nas comunidades muçulmanas, tanto dentro como fora do Brasil.
Pela primeira vez, um livro reúne as principais pesquisadoras brasileiras do islamismo no país. E o que o torna único é exatamente o que une os seus diferentes capítulos: o espaço reservado à pesquisadora, em sua concepção de identidade, diante do "outro", o pesquisado. Desta forma, Francirosy realiza uma "antropologia da antropologia", transformado as próprias autoras convidadas em objetos de estudo, pesquisando suas teorias e metodologias para saber de que forma elas lidam com questões como a mulher muçulmana, os motivos que as levaram a estudar o Islã ou os desdobramentos decorrentes de suas trajetórias e trabalhos produzidos. "A escolha dessas pesquisadoras deve-se ao fato da familiaridade que tenho com os seus trabalhos, e por considerar que a experiência e a trajetória de cada uma é significativa o bastante para construir a temática da pesquisa. Trata-se de mulheres que tem em comum o Islã como objeto, mas que apresentam recortes completamente diferentes, como identidade, (i)migração, conversão e gênero", explica a organizadora. Ao tratar de temas tão difundidos e atuais, "Olhares femininos..." instiga não apenas especialistas e estudiosos, mas toda e qualquer pessoa atenta às condições da vida contemporânea, que busca um conhecimento mais amplo e detalhista sobre o Islã e os muçulmanos. Assim, o leitor se surpreenderá ao encontrar comunidades islâmicas em cidades como São Paulo, Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro, além de constatar como o Islã pode ser estudado através de métodos diferentes, como: o do observador participante, o das histórias de vida, a fotografia, o cinema e as interrelações culturais, e como as mulheres preservam ou alteram os padrões culturais e religiosos na condição de imigrantes ou de retorno ao país de origem. " Olhares femininos sobre o Islã" é fruto do projeto da autoria de Francirosy Campos Barbosa para o Prodoc/ Capes (Programa de Apoio a Projetos Institucionais com a Participação de Recém-Doutores), intitulado "Pesquisadoras performers: olhando para o feminino no Islã". Sobre a organizadora: Francirosy Campos Barbosa Antropóloga, bolsista do Prodoc e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes/Unicamp. É pesquisadora do Gravi (Grupo de antropologia visual); Napedra (Núcleo de antropologia, Performance e Drama), e Álif (Arte, antropologia e Performance do Islã Histórico e Contemporâneo/Ufpa), membro do Naci (Núcleo de Antropologia em Contextos Islâmicos - do CRIA - Centro de Investigação em Antropologia/ ISCTE, Lisboa).
Texto e imagem: release da Editora Hucitec.
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"A escola por trás dos muros da prisão: percepções de alunos detentos sobre educação, religião e vida cotidiana"
LOBO, Edileuza Santana. A escola por trás dos muros da prisão: percepções de alunos detentos sobre educação, religião e vida cotidiana. Tese Doutorado em Ciências Sociais) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009
A presente tese teve como objetivo compreender como os detentos elaboram a vida cotidiana na prisão e, em que medida o acesso aos dispositivos da educação e da religião disponíveis no cárcere podem contribuir para a reintegração social do indivíduo recluso. A pesquisa foi desenvolvida na perspectiva de que a população carcerária é constituída majoritariamente de pessoas marcadas pela vulnerabilidade social que não tiveram acesso aos direitos fundamentais ao exercício da cidadania. Para estes indivíduos, o espaço escolar é percebido como espaço de sociabilidade e também de oportunidade de mudança, uma vez que possibilita vislumbrar caminhos alternativos à vida criminal. As observações foram realizadas em quatro escolas localizadas em unidades prisionais do Rio de Janeiro. Através de entrevistas, depoimentos informais e observação direta procurou-se identificar experiências que produziram significados no contexto das escolas existentes no interior das prisões com referência as formas de apropriação da educação e religião pelos alunos detentos.
Segundo a Lei de Execuções Penais (LEP), documento que orienta a vida na prisão, são direitos garantidos ao indivíduo no cumprimento da pena: a assistência material, educacional, religiosa, jurídica, social e à saúde. Na presente tese, a autora optou por investigar a vida cotidiana nas prisões através de dois canais de atendimento ao preso: a educação e a religião. Para tanto, foi realizada pesquisa de campo em espaços escolares de quatro unidades prisionais: A Penitenciária Lemos de Brito, Penitenciária Milton Dias Moreira, Presídio Pedrolino de Oliveira e Presídio Hélio Gomes localizadas no atualmente extinto Complexo Frei Caneca, na cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa não contemplou todo o efetivo carcerário das referidas prisões, mas os detentos que freqüentavam as escolas e circulavam pelos seus espaços. Vale acrescentar que o preso não é obrigado a estudar e tampouco as escolas localizadas nas prisões comportam o número de presos de cada unidade, embora a educação seja um direito garantido por lei e o tempo de estudo, no Estado do Rio de Janeiro computado para remição de pena.
A pesquisa teve como objetivo descrever e analisar a narrativa dos presidiários que freqüentavam a escola da prisão e também participavam de atividades religiosas praticadas nos seus espaços. Foram realizadas entrevistas e coletados depoimentos dos alunos detentos, além disso a autora realizou observação direta durante cinco anos (2003-2008), atuando como professora nas referidas escolas, esta foi a condição possível para realização do trabalho de campo. Este estudo etnográfico da escola constituiu um esforço no sentido de realizar uma "descrição densa" do espaço escolar na prisão na tentativa de compreender a complexa realidade dos espaços prisionais e perceber nuances do cárcere que geralmente não são discutidas nos debates sobre prisões e presidiários. Explorou-se detalhes, códigos, limites geográficos permitidos e constrangimentos vividos.
A autora identificou experiências que revelaram formas de elaboração da vida cotidiana pelos alunos detentos a partir da apropriação das oportunidades oferecidas pela escola e/ou pela religião na prisão. A população carcerária é constituída majoritariamente de pessoas marcadas pela vulnerabilidade social, excluídas do acesso aos direitos fundamentais para o exercício da cidadania. Para uma boa parcela dessa população o espaço escolar é percebido como espaço de sociabilidade e também de oportunidade de mudança, uma vez que possibilita vislumbrar caminhos alternativos à vida criminal. A prática religiosa e a freqüência à escola são apresentadas na gramática discursiva da prisão como produtora de oportunidade de mudança e de projeto para o futuro. A frase dita por um aluno detento: "eu vou voltar para o lugar de onde eu nunca deveria ter saído" se referindo ao passado quando havia sido membro de uma igreja evangélica sugere que a permanência na igreja poderia tê-lo livrado das "tentações do mundo" e consequentemente da prisão. Diversos relatos expressam essa idéia: "precisei vir parar na prisão para cair à ficha", "Deus me colocou aqui e Ele vai me tirar", "estou decidido a fazer uma reforma moral na minha vida." São declarações dos alunos que revelam reflexões no âmbito da crença religiosa. Muitos deles eram vinculados às instituições religiosas que atuavam nas unidades prisionais pesquisadas e alguns até exerciam a função de "dirigentes" dos grupos religiosos que se formavam naqueles espaços.
Os relatos destes internos demonstravam que a possibilidade da conversão religiosa gerava expectativa no sentido de transformação, ou seja, a desconstrução do sujeito criminoso e a produção de "um novo homem" com uma nova identidade distanciada dos delitos do passado. Assim, este indivíduo que antes "vivia em pecado" ou levando uma "vida promíscua" (expressões recorrentes nos depoimentos dos detentos) iniciado na religião, se transformava em uma nova pessoa. Ao se apropriar dessa nova identidade, começava então um processo de aprendizado de novos valores. Estes incluíam formação escolar, habilitação profissional e o "resgate" da família. Este processo que muitas vezes se iniciava com o advento da conversão religiosa mobilizava os detentos no sentido de incorporar metas para o futuro e possivelmente contribuía com sua reintegração à sociedade.
Esta pesquisa procurou investigar as apropriações feitas pelos detentos, dos espaços escolares e da prática religiosa nas prisões. Demonstrou que uma parcela da população prisional encontra nestes locais, espaços de sociabilidade e de oportunidade de inserção social. Certamente as apropriações são diversificadas e os objetivos de muitos detentos em relação a educação e religião são instrumentais e efêmeros. A tese revelou que atrás dos muros das prisões existe uma pluralidade de indivíduos com variados potenciais muitas vezes encobertos pelas percepções da sociedade em relação ao preso.
Texto e imagem: Edileuza Lobo
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Intolerância religiosa em escolas do RJ
Integrantes da Relatoria do Direito Humano à Educação estiveram no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 6 de maio, para uma missão de investigação sobre casos de intolerância religiosa em escolas do Rio de janeiro. A relatoria é composta por representantes de trinta organizações e redes nacionais de direitos humanos.
A visita à capital fluminense integra a missão nacional "Educação e Racismo no Brasil", que será realizada em vários estados brasileiros no decorrer deste ano. O objetivo principal da missão nacional de 2010 é investigar casos de intolerância religiosa e outros episódios de racismo no cotidiano das unidades educacionais. Além disso, será avaliada a situação da educação em áreas remanescentes de quilombos.
A equipe da Relatoria visitou terreiros de candomblé na região metropolitana. Conversou com lideranças religiosas, estudantes e familiares, pesquisadores e autoridades do Ministério Público e da Segurança Pública. E foi recebida em audiência pela Secretária Estadual de Educação, Teresa Porto.
Entre as denúncias que chegaram à Relatoria de diversas regiões do país encontram-se casos de violência física (socos e até apedrejamento) contra estudantes; demissão ou afastamento de profissionais de educação adeptos de religiões de matriz africana ou que abordaram conteúdos dessas religiões em classe; proibição de uso de livros e do ensino da capoeira em espaço escolar; desigualdade no acesso a dependências escolares por parte de lideranças religiosas, em prejuízo das vinculadas à matriz africana; omissão diante da discriminação ou abuso de atribuições por parte de professores e diretores, etc. Essas situações, muitas vezes, levam estudantes à repetência, evasão ou solicitação de transferência para outras unidades educacionais, comprometem a auto-estima e contribuem para o baixo desempenho escolar.
O tema da laicidade também integra a missão, que aborda a questão do ensino religioso nas escolas brasileiras, o acordo do Estado brasileiro com o Vaticano e o marco legal brasileiro. Tendo em vista esses temas, a Relatora Nacional de Educação Denise Carreira esteve no ISER, no dia 5 de maio, para conhecer os principais estudos e projetos da instituição acerca do debate sobre o ensino religioso nas escolas públicas. Na visita, a Relatora conversou com a pesquisadora Paola Lins, que mostrou publicações e pesquisa sobre o tema. Além disso, Denise Carreira pôde conhecer outras pesquisas da instituição relacionadas à religião e educação, entre elas a pesquisa nacional do Perfil da Assistência Religiosa no Sistema Socioeducativo.
As informações da missão ao Rio de Janeiro e de outros estados farão parte do relatório nacional, que será apresentado pela Relatoria ao Congresso Nacional, ao Conselho Nacional de Educação, ao Ministério Público Federal, às autoridades educacionais, aos organismos das Nações Unidas e às instâncias internacionais de direitos humanos.
O que é a Relatoria?
Com o apoio institucional da UNESCO, do Programa de Voluntários das Nações Unidas, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e da Procuradoria Federal do Direito do Cidadão, a Relatoria Nacional do Direito Humano à Educação é uma iniciativa da Plataforma DHESCA (Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), uma articulação de trinta organizações e redes nacionais de direitos humanos. Conta com o apoio político da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. As duas últimas missões da Relatoria abordaram "A Educação e a Violência Armada: violação dos direitos educativos no Complexo do Alemão" (com apoio do UNICEF) e "A Educação nas Prisões Brasileiras".
Inspirada nos Relatores Especiais da ONU, a Plataforma possui mais cinco relatorias nacionais: saúde, moradia, alimentação, meio ambiente e trabalho. A atual Relatora eleita em 2009 é Denise Carreira, feminista, coordenadora do programa diversidade, raça e participação da Ação Educativa e ex-coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A assessoria é exercida pela educadora Suelaine Carneiro, ativista do movimento de mulheres negras e integrante da organização Geledés Instituto da Mulher Negra.
Texto: Marília Assad (baseado no release da relatoria)
Imagem: ONU
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O PPGAS/MN/UFRJ e o PPCIS/UERJ convidam para a palestra
Xarás e Padrinhos: Pessoa, Aliança e Co-responsabilidade
a ser proferida pelo prof. João de Pina Cabral (ICS/Lisboa)
Data: 09 de junho
Horário: 14h
Local: sala Roberto Cardoso de Oliveira (sala de aula do PPGAS).
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