| |
 |
EDITORIAL
|
|
|
Para receber Plural, cadastre seu e-mail (http://www.iser.org.br/cadastro.php). Se deseja fazer uma sugestão de publicação, envie-a para plural@iser.org.br.
Equipe:
Editor - Emerson Giumbelli
Composição - Paola Lins e Marília Assad
|
 |
|
|
ISER realiza debate sobre Acordo entre o Brasil o Vaticano
O ISER promoveu, no dia 4 de setembro de 2009, um debate sobre a aprovação de dois projetos de cunho religioso aprovados no dia 26 de agosto, na Câmara Federal. São eles o Projeto Decreto Legislativo 1736/2009, que trata do acordo Brasil-Vaticano, e o Projeto de Lei 5598/2009, que estende às outras religiões os termos firmados entre a Santa Sé e o Brasil. Ambos seguiram para o Senado e aguardam votação.
O Acordo assinado, em novembro de 2008, entre o Estado brasileiro e a Santa Sé trata do estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. A medida casou surpresa e careceu de discussão e divulgação mais ampla da mídia no período em que o texto tramitava na Câmera Federal. O tema é bastante polêmico, pois há os que dizem que o Acordo apenas reúne e ratifica normas e práticas já vigentes; e há outros que temem pelas conseqüências do que consideram uma Concordata que comprometeria o princípio da separação entre Estado e Igreja.
Em contrapartida, foi aprovado, no Plenário da Câmara, na mesma sessão, o Projeto de Lei 5598/09, do deputado George Hilton (PP-MG), propondo uma "Lei Geral das Religiões". O projeto de lei repete diversos artigos do acordo entre o Brasil e o Vaticano, adaptando-os a todas as religiões.
Discutir o conteúdo e as consequências dessas duas proposições legislativas foi o objetivo do evento que se realizou na sede do ISER, com apoio da Linha de Pesquisa "Religião em Perspectiva" (PPCIS, UERJ). Emerson Giumbelli, antropólogo, colaborador do ISER e organizador do encontro, introduziu o debate destacando os principais pontos dos dois projetos que tramitam no Senado. Em seguida, alguns vídeos curtos produzidos pela TV Câmara (veja os links no final do texto) sobre a questão foram apresentados para dar mais subsídios à discussão.
Entre os presentes, encontravam-se estudiosos e interessados no tema da Religião. Muitos pontos dos dois textos foram discutidos e questionados. Entre os assuntos levantados, ponderou-se sobre os privilégios que a Igreja Católica pode obter com o Acordo. Além disso, teme-se, com a aprovação dos Projetos, o risco de que o país recue em relação à determinação republicana do final do século 19, que separou os poderes Igreja-Estado.
As falas, por mais diversas que fossem, estavam de acordo de que o tema ainda merece mais atenção da sociedade. E que a mídia poderia ter um papel mais instigante ao suscitar debates, levantar pontos polêmicos dos textos e questionar os interesses dos atores envolvidos nos dois Projetos, e não se limitar às tímidas coberturas e aos raros artigos de opinião. É muito importante encontros como este, organizado pelo ISER e por grupos de estudos de distintas universidades para discutir essas duas propostas legislativas, mas não é suficiente. Sendo assim, uma das sugestões propostas para ampliar as discussões, é a realização de uma audiência pública, inicialmente, na Alerj antes que os textos sejam votados no Senado.
Subsídios:
- Texto do Acordo: http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=6031
- Texto do PL 5598/09: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/670872.pdf
- Debate na Folha de São Paulo (15/08/09): http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=609059
http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=609061
- TV Câmara: http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&velocidade=100k&Materia=90899
http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&velocidade=100k&Materia=87577
Texto: Marília Assad Imagem: rogeliocasado.blogspot.com
|
|
|
Revista REVER, março - Ano 9 - 2009
Os artigos presentes no último número de Rever - Revista de Estudos da Religião, publicação eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC de São Paulo - tiveram sua origem no Grupo de Trabalho "Religiões afro-brasileiras: diálogos culturais e hibridações". O GT foi proposto pelo Grupo de Estudos Imaginário Religioso Brasileiro - Diáspora e Matrizes Religiosas da PUC/SP para compor o III Simpósio Internacional sobre Religiosidades, Diálogos Culturais e Hibridações, ocorrido na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em Campo Grande de 21 a 24 de abril de 2009.
Editorial - REVER março, ano 9, 2009 Religiões Afro-brasileiras: diálogos culturais e hibridações
Os artigos presentes na edição de REVER foram apresentados no III Simpósio Internacional sobre Religiosidades, Diálogos Culturais e Hibridações, realizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul / CCHS / DHD, em Campo Grande, de 21 a 24 de abril de 2009. Dentre os diversos GT's propostos no Simpósio, o Grupo de Pesquisa - Diáspora e Matrizes Africanas - apresentou como proposta o GT intitulado "Religiões afro-brasileiras: diálogos culturais e hibridações". O GT teve como proposta apontar permanências, rupturas e evoluções, bem como o diálogo com outras religiões no passado e na atualidade, especialmente no que diz respeito aos aspectos culturais presentes nas religiões afrobrasileiras, que são faces do legado histórico das religiões que os africanos e afrobrasileiros formaram na sociedade brasileira. Chamou nossa atenção a diversidade existente em relação ao tema da religiosidade e das religiões afrobrasileiras, não só no que diz respeito às suas expressões, mas também ao quanto elas estão presentes em todo território brasileiro.
Como tivemos a inscrição de mais de trinta trabalhos, para compor o presente número selecionamos alguns, apresentados durante o evento, que contemplassem a diversidade e a riqueza das expressões afrobrasileiras, já que ainda mantemos a nossa intenção de relacionar a experiência da diáspora com alguns dos produtos religiosos desenvolvidos em solo brasileiro, resultado de diferentes diálogos culturais e hibridações. Focalizamos, portanto, o mundo das mediações religiosas, isto é, os processos de formação, de interpretação, de organização e de desenvolvimento, no que se refere aos comportamentos, às linguagens, aos símbolos e aos rituais presentes nessas religiões. Tais aspectos são entendidos como produções simbólicas, geradas no interior da cultura, consequência de determinado momento histórico. O número da revista encontra-se organizado da seguinte maneira: No artigo "Espaços de hibridações e diálogos culturais: o caso bantú", a presença bantu tantas vezes relegada para um segundo plano nos estudos da religiosidade afrobrasileira na diáspora é resgatada por Malandrino. A tradição bantu, com seu caráter híbrido e continente acolheu saberes e fazeres, em especial no campo da religiosidade. Entende-se então sua presença em várias expressões da religiosidade afrobrasileira, como por exemplo, no culto dos antepassados. A autora detecta esses processos de hibridismo antes mesmo do embarque dos escravizados para o Brasil. No diálogo com a historiografia renovada, encontra dados que dão suporte a sua proposta. Já no texto de Mirian Tesseroli, "Algumas reflexões sobre a organização social da Mina maranhense e do Ketu em Belém do Pará", a autora quer responder uma questão: qual a organização social da mina maranhense e do Ketu em Belém do Pará? Dada a complexidade da questão, busca, através de sucessivas aproximações, esclarecê-la. Entre os temas estudados estão o da autorrepresentação dos clãs iorubanos no Brasil, a delicada questão do incesto e do homossexualismo, a da instituição do casamento e o do peso da escravidão na organização familiar. De posse dessas informações, visualiza a organização social das casas. Sonia Apparecida Siqueira, em "Multiculturalismo e religiões afrobrasileiras. O exemplo do Candomblé" afirma que o multiculturalismo é uma nota característica da sociedade brasileira, nota esta que tem reflexo direto nas religiosidades. As religiões afrobrasileiras, em particular o Candomblé, cedo se fizeram presentes no país. Num contexto multicultural, era de se esperar uma vivência tranquila das religiosidades afrobrasileiras. Ledo engano: a visão monoculturista dos senhores e da elite entrou em choque com a diversidade cultural e religiosa. Daí, a proposta de autora de um resgate da visão multiculturalista, que possibilita um diálogo no âmbito nacional e internacional.
Na esteira dos estudos culturais, Louzada, em "Candomblé e Umbanda na cidade de Goiânia em perspectiva pós-colonial", olha para o Candomblé e a Umbanda presentes na cidade de Goiânia com uma intencionalidade bem definida: analisar as relações entre a racionalidade ocidental e saberes subalternos. Tendo presente o dado histórico do encobrimento e da hibridez procura desvelar a dinâmica da colonialidade do poder. Artigo de cunho analítico, que abre um fecundo diálogo com os estudos culturais, deixando transparecer uma clareza conceitual. Por fim, Bruno Faria Rohde escreve "Umbanda, uma religião que não nasceu: breves considerações sobre uma tendência dominante na interpretação do universo umbandista". A preocupação do artigo é entender como as práticas e crenças umbandistas são interpretadas, tendo presente o seu processo histórico de constituição. Para o autor, tanto adeptos quanto estudiosos da Umbanda tem uma compreensão baseada numa "lógica identitária restritiva". Essa perspectiva não capta a riqueza do fenômeno religioso umbandista. Acreditamos que os artigos apresentados chamam a atenção para a riqueza do campo religioso afro e para os desafios que a pesquisa levanta. Conhecer um pouco mais dessa religiosiodade-matriz de nosso modo de ser equivale à predisposição a uma convivência mais respeitosa no meio dessa pluralidade de fés que sempre caracterizou a nação brasileira.
Link: http://www.pucsp.br/rever/rv1_2009/editorial.htm
Autoria do texto: Ênio José da Costa Brito (brbrito@uol.com.br) e Brígida Carla Malandrino (brigidamalandrino@terra.com.br)
|
|
|
A bandeira é o santo e o santo não é a bandeira: práticas de presentificação do santo nas Folias de Reis e de São José
Tese de doutorado defendida por Wagner Neves Diniz Chaves junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, em março de 2009.
Folia é termo que designa uma celebração do chamado "catolicismo popular" encontrada em grande parte do Brasil, assumindo características e significações próprias de acordo com as regiões e contextos específicos. No norte de Minas Gerais, esta celebração, que pode ser dedicada a diferentes santos tais como Santos Reis, Bom Jesus, Santa Luzia, São José, entre outros, é realizada por um conjunto de tocadores (foliões), reunidos em grupo (terno), que durante alguns dias ou noites circulam por um território visitando e distribuindo bênçãos aos moradores em troca de ofertas para a festa do santo. O objetivo mais geral da pesquisa de Wagner Chaves, a partir da descrição das práticas rituais de Santos Reis e São José, é discutir como pessoas e santos se relacionam de modo dinâmico e processual.
No "sertão" norte mineiro, nas beiras do São Francisco, nos municípios de São Francisco, Januária e Chapada Gaúcha, onde esta pesquisa foi realizada, as Folias costumam acontecer diversas vezes no correr de um ano e para muitos santos. Em torno dos dias de São José, Santa Luzia, Bom Jesus, São Sebastião, Nossa Senhora Aparecida, Santos Reis e outros, é comum encontrarmos, nas cidades e nas roças, nos beira-rios e nas imensidões do cerrado, pequenos e grandes grupos de cantadores e tocadores realizando um giro ritual. Em honra de um santo, e geralmente movidos a cumprir promessa de algum devoto, os foliões se reúnem e juntos se deslocam, a pé e, de pendendo do lugar, a cavalo, por um território, visitando as casas dos moradores, levando bênçãos, músicas e danças em troca de comidas e bebidas, consumidas na visita, assim como ofertas para ajudar na realização da festa do santo. Estruturado a partir de alguns preceitos, como andar sempre de ocidente para oriente, não pular casa que esteja no seu caminho, o giro deve também sempre começar e terminar na casa do dono da promessa, ou imperador, responsável por promover a festa em seu encerramento.
Na localidade da Taboquinha, zona rural do município de São Francisco, onde esta pesquisa se concentrou, com exceção da dedicada aos Santos Reis, que, tal qual os magos, anda somente a noite e não usa a bandeira, todas as demais Folias, circulam durante o dia e com a bandeira. Em todas as Folias, com ou sem bandeira, o santo, tal como os "fe(i)tiches" de que nos fala Bruno Latour (Reflexão sobre o culto moderno dos deuses fe(i)tiches. São Paulo: EDUSC, 2002), parece ser uma presença a um só tempo real e construída. Espécie de "centro" relacional, em torno do qual o ritual se movimenta, o santo, para os praticantes, é um agente que faz coisas, produz transformações - distribui bênçãos, concede graças, opera milagres, agradece ofertas, protege casas e famílias. O santo é tocado, beijado, diante de quem se reza, se pede e se canta. Com versos do tipo ô meu nobre morador/ boa nova eu vim lhe dar /já chegou meu Santos Reis / que veio lhe visitar, o canto, sempre executado na chegada das casas, como tento mostrar ao longo do trabalho, cria a realidade da presença do santo. Uma vez presente, o santo passa a ser um agente, interagindo com moradores e foliões, movimentando um sistema dinâmico de trocas simbólicas. Descrever esse sistema de trocas simbólicas em operação nas Folias de Reis e São José foi o objetivo geral desta pesquisa.
Nessa direção, e como um giro de Folia, o trabalho se estrutura em três momentos: "Saída", "Viagem" e "Chegada". No primeiro, intitulado "Do mito do rito", descrevo e analiso um conjunto de sete versões de narrativas sobre as origens da Folia. Trata-se de uma espécie de introdução ao universo das Folias, em que descrevo os principais personagens, ações e símbolos presentes no ritual, fundamentais para que o leitor possa navegar neste outro "giro" que é uma tese. Em seguida, partindo de um viés mais etnográfico, mostro até que ponto a saudação das lapinhas é um rito de volta às origens, de re-encontro da Folia com seu mito fundador. Tendo como questão principal investigar as práticas de presentificação do santo e como objeto o canto de saudação da lapinha, observei como são diferentes as modalidades de presença dos Santos Reis: os foliões são os Reis? Os Reis estão lá, na lapinha? Ou os Reis são aqueles de quem se fala, referentes não presentes na situação? Sem pretender fornecer uma resposta unilateral a essas questões, que por exemplo situa a presença do Reis em padrões bem delimitados de identidade, optei por tratar todas as modalidades como possibilidades não excludentes.
A segunda parte, "Viagem" ou "Giro de São José", dividida em cinco capítulos dedicados a aprofundar a discussão acerca dos diferentes modos de presentificação e de relacionamento entre pessoas e santos, é onde se concentra a etnografia que sustenta este trabalho. Com o foco direcionado para o canto e a bandeira como símbolos dominantes, apresento o ciclo ritual da Folia de São José - dos ritos de abertura (cap.5) aos de encerramento (cap.7), passando pela visita aos moradores (cap. 6) e aos mortos. Aprofundando a discussão sobre presentificação a partir do material apresentado e com o auxílio de autores como
Hans Gadamer (A atualidade do belo: a arte como jogo, símbolo e festa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985), Victor Turner (TURNER, Victor e TURNER, Edith. 1978. "Iconophily and iconoclasm in Marian pilgrimage". In: Turner & Turner, Image and pilgrimage in Christian culture. Oxford, Basil Blackwell, 1978), Pierre Vernant ("Figuração e imagem". In Revista de Antropologia. São Paulo, USP, v. 35. pp. 113-128, 1992), Hans Belting (Likeness and presence: a history of the image before the era of art. Chicago: University of Chicago Press, 1994), Stanley Tambiah ("Relations of analogy and identity: toward multiple orientation to the world". In: OLSON & TORRANCE (eds). Modes of thought: explorations in culture and cognition. Cambridge: Cambridge University Press. Pp. 34-52, 1996), ao final postulo que para os devotos, a relação entre santo e imagem envolve mais identificação e fusão do que analogia e representação. Desse modo, a bandeira, para os devotos, não parece estar, supostamente, no lugar ou apontando para o santo, mas sim sendo o próprio santo, em presença. A tese ainda pretendeu avançar na discussão, apresentando, no capítulo 9, o caso da Folia de Santos Reis. Embora o santo seja presentificado como nas demais Folias, na de Reis não se usa a bandeira e nem objetos, imagens, etc que assegurem visualidade a essa presença. Sem a bandeira como presença visual, a percepção dos participantes é redirecionada para as dimensões sonoras. Se nas Folias de bandeira, visão e audição se misturavam, se relacionavam, agora a comunicação passa fundamentalmente pelo ouvido, pelo som das palavras cantadas e dos instrumentos tocados. Enquanto nas primeiras, a imagem era o santo, agora o canto, enquanto som e poesia, é que parecia criar a realidade da presença do santo. É nesse sentido que o enunciado "A bandeira é o santo e o santo não é a bandeira" se revela. Percebendo que muitas eram as possibilidades de presentificação do santo, e que todas conviviam sem serem percebidas como contraditórias, procurei, na etnografia, trazer algo dessa construção para pensar o lugar dos paradoxos e antinomias na construção do real.
Texto e imagem: Wagner Neves Diniz Chaves
|
|
|
Compartilhando o sagrado, servindo ao mundo: Aldeia Sagrada 2009 celebra tradições e realiza atividades culturais
As seis badaladas do sino da Igreja da Glória deram início à vigília interreligiosa da Aldeia Sagrada 2009, no dia 21 de agosto, às 18h, no ISER. Respeitando a tradição, as pessoas presentes - membros do Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro - MIR e representantes de mais de vinte tradições religiosas - deram as mãos, formando um grande círculo. Era hora de celebrar a diversidade religiosa, agradecer pela oportunidade de um momento de união e pedir paz.
Ainda em clima de comemoração, imediatamente após o início da vigília, aconteceu o lançamento da revista dos 17 anos do MIR. Na ocasião, todos os envolvidos com a realização da revista foram homenageados. Clemir Fernandes, um dos organizadores da publicação e pesquisador do ISER, destacou a importância do documento, que reúne as análises de cerca de dez pesquisadores, além da memória e da trajetória do Movimento contada pelos seus principais atores. "Plural como o MIR, esta publicação produzirá alegria e boas lembranças a muitos leitores que participaram e atuam ainda hoje na caminhada do MIR, além de reflexões e ações positivas que somente o futuro poderá revelar" - enfatizou Clemir. A vigília religiosa começou no dia 21. Mas os eventos ligados à Aldeia Sagrada deste ano aconteceram entre os dias 18 e 23 de agosto, nas dependências do ISER. Orientado pelo tema "Compartilhando o sagrado, servindo ao mundo", o evento esteve dividido em três partes. A primeira, que durou do dia 18 ao dia 20 de agosto, foi um momento de encontro entre os religiosos e a academia. As celebrações sagradas e atividades culturais foram realizadas nos dias 21 e 22. No dia 23 de agosto, por fim, as tradições e pessoas que participaram da Aldeia Sagrada foram convidadas a realizar atividades em seus locais sagrados e compartilhar as ideias que vieram à tona ao longo do encontro. Conscientes da importância do diálogo entre religiosos e intelectuais, os organizadores da Aldeia Sagrada 2009 reservaram três dias para debates, apoiados por painéis que discutiram a relação entre a ciência e a espiritualidade, meio ambiente e o princípio feminino no sagrado. O principal objetivo dessas mesas redondas era aproximar mundos muitas vezes tidos pela sociedade como antagônicos. Durante a palestra Ciência com Espiritualidade, o pesquisador e sacerdote Etiene Sales defendeu a possibilidade de se mesclar a atuação dos dois campos. "Durante todo o processo de construção da pesquisa acadêmica, o estudante entrou em conflito com o religioso. No entanto, eu tentei não confundir a mensagem do mensageiro - como sacerdote - com a idéia representada pelo objeto. Porque nenhuma área pode se sobrepor a outra, mas temos sim o dever de fazer sempre os mesmos questionamentos nas duas vias". Sementes do amanhã Na tarde do dia 21 de agosto, as atividades estiveram destinadas ao público infantil. Cerca de setenta crianças, entre indígenas de uma aldeia Guarani da cidade de Niterói e meninos e meninas do Omo Aro Cia Cultural, assistiram ao teatro de fantoches Mundinho, como vai você? e participaram de oficinas de pintura e desenho, nas quais puderam expressar de forma lúdica sua compreensão da diversidade cultural e religiosa. Além disso, as crianças do Omo Aro Cia Cultural se apresentaram em roda, dançando Cacuriá e Maculelê - danças típicas de festividades religiosas de alguns estados do nordeste brasileiro, com forte influência africana - e capoeira. As atividades foram encerradas com o coral infantil do Movimento Tamoio dos Povos Originários. As crianças tiveram oportunidade de entender melhor o significado do conceito da interreligiosidade, tanto por meio das atividades culturais desenvolvidas com elas pelos voluntários do MIR, como através do contato que tiveram umas com as outras, nos momentos de brincadeiras, danças e conversas. Rituais e danças valorizando o sagrado Entre celebrações, rezas, danças sagradas, diálogos, músicas e pedidos, o objetivo da Aldeia Sagrada foi exemplificar e comunicar os princípios interreligiosos através das práticas realizadas pelos membros do MIR. Cada Tradição expôs em uma tenda própria - os altares - sua sabedoria espiritual e seu trabalho para a construção de um mundo melhor. A busca comum pela paz, a vivência da unidade na diversidade, as possibilidades do diálogo e da cooperação entre instituições e pessoas foram observados por todos os cantos da Aldeia Sagrada. Atividades fundamentadas no diálogo e na cooperação interreligiosa foram desenvolvidas para promover a integração de ações pela melhoria da qualidade de vida e pela paz mundial. Cada participante trabalhou lado a lado com representantes de diferentes expressões espirituais e culturais na realização conjunta de rituais. A expressão dessa diversidade pôde ser compreendida por meio das muitas celebrações interreligiosas e rituais realizados no dia 22 de agosto, como o Cerimonial do Fogo coordenado por Haga Bhumi, do Hare Krishna, meditação, rodas de conversa sobre plantas medicinais, além de danças sagradas indígenas e o Catimbó. A título de encerramento das celebrações conjuntas da Aldeia Sagrada, no dia 22 de agosto, às 18h, passadas as vinte quatro horas de vigília interreligiosa, os sinos da Igreja da Glória soaram novamente. Mais uma vez, dezenas de vozes se reuniram em círculo e convidaram a todos a compartilharem nos seus espaços sagrados as idéias e ações vividas no encontro. "O ISER se orgulha de receber mais uma vez cada membro das tradições religiosas que colaboraram com a realização desse grande círculo. Esperamos que este espaço de reflexão e conhecimento plural contribua para o restabelecimento do respeito e da tolerância religiosa", resumiu Pedro Strozenberg, secretário executivo do ISER.
Texto: Marília Assad, com colaboração de Vanessa Campanario Imagem: Vanessa Campanário
|
|
|
|
1) SEMINÁRIO
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO RIO DE JANEIRO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
Programação
18h - Abertura com Pedro Strozenberg (Diretor Executivo do ISER)
18h15min - Início da Mesa
Expositores: Ivanir dos Santos (Comissão Contra a Intolerância Religiosa no estado do Rio de Janeiro) Dr. Marcos Kaqui (Coordenação de Direitos Humanos do Ministério Público - RJ) Dr. Marco Fonseca (Ouvidor de Direitos Humanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro)
Mediadora: Christina Vital (Antropóloga - Religião e Sociedade do ISER)
Data: 15 de setembro de 2009 Local: ISER - Rua do Russel, 2º andar - Glória. Contatos: 2555 3781/3782 chrisvital@iser.org.br www.iser.org.br
2) PALESTRA
EL ACTIVISMO CATOLICO CONSERVADOR Y LAS POLITICAS DE LA SEXUALIDAD EN LA ARGENTINA: ASPECTOS ANALITICOS Y NORMATIVOS
Expositor: sociólogo Juan Vaggione - Universidad de Córdoba.
Organização: O Núcleo Religião, Gênero, Ação Social e Política
Data: 27 de setembro 2009 Hora: 9:00 Local: Escola de Serviço Social da UFRJ - sala 9 (Av. Pasteur nº250/Fundos, Urca, Rio de Janeiro) Mais informações: Fone/fax: 55 2138735401 / www.ess.ufrj.br/nucleoreligiao
3) SEMINÁRIO
V SEMINÁRIO ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA ESPÍRITA AO PRESO
Tema central: "A construção de um mundo melhor - o que o Movimento Espírita tem feito?!"
Organização: Conselho Espírita do estado do Rio de Janeiro - CEERJ
Data: 18 outubro de 2009 Hora: 9:00 Local: CEERJ (Rua dos Inválidos, 182, centro - Rio de Janeiro)
Inscrições até 30/09 Mais informações: (21) 2224-1244 / www.ceerj.org.br
|
|
|